sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Poema no. 8


pores do sol

não podem me tocar

nada pode


não há nada de tão belo

que possa me tocar

tantos medos

tantos indícios de que

a vida seja tão insegura

(a vida é tão insegura)


pores do sol

nunca mais me tocarão

(não como se toca um poeta

ou um pintor medíocre)


a não ser

que olhando para ele

estejam todos

os homens vis

os homens mais vis

vendo sua luz morrer

Poema no. 7


cometo sandices

já visitei o outro lado do mundo

apenas para dar um grito

à noite, parto da cama e

escrevo poemas

hei de gritar poemas numa cama do outro lado do mundo



Falta de poemas

A todos:

Desde quarta-feira (20/10/2010) até hoje (22/10/2010) estive em atos em Brasília e São Paulo em defesa do Andes-SN e em Campanha pela Permanência Estudantil da Unifesp Baixada Santista.

Por isso, por estar mais de 30 horas num ônibus nesses dias, não postei aqui os poemas nos. 7 e 8.

Contudo os escrevi e os postarei aqui hoje. E mudarei um pouco a forma de postá-los.

Até.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Poema no. 6 ou Baixada Santista

Está provado: quem espera nunca alcança.

(Chico Buarque)

Somos mil e poucos estudantes

Somos mil

e somos poucos

numa universidade federal


Há milhões que não nos são

e a quem devemos por sermos

mil e poucos estudantes


Para pagá-los

(por seu esforço silencioso e dolorido para nos manter aqui,

mesmo em condições que não nos permita retribuir)


é que gritamos e

gritamos e

gritamos


para que em breve sejamos

mil e poucos lavradores carpindo este mundo injusto


para que em breve haja

muitos

numa Universidade Federal

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Poema no. 5

A arte existe porque a vida não basta
(Ferreira Gullar)

a vida basta
a vida bastaria
para um bilhão de pessoas que sentiam fome ontem
                                            e ainda sentirão amanhã
a arte não pode tocá-las
nem espero que toque
aliás,
         não há de tocá-las
que as toque um instinto sangrento de sobrevivência
e uma luz que as indique o seu algoz
                                                     nós

domingo, 17 de outubro de 2010

Poema no. 4

Há dores tão imediatas
A fome alheia se escancara no passeio público

Contudo, meus olhos estão fechados
e meu nariz, tapado
(finjo não sentir o fedor de sangue e merda que emana do corpo
quase morto que se estende por meu caminho e que pulo sem notá-lo)
por um instante imagino que a vida seja bela
prédios tão altos denunciam a arquitetura contemporânea de vidro e aço

E sigo em paz, sem pensar no que se há por fazer.

sábado, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Poema no. 2

A Revolução Cubana está perto do fim
(para o mundo, já acabou)
e mesmo assim, seguem as dores e os famintos.
Pela América Latina (menos que na África),
a miséria segue sendo parte de nós
e nós
seguimos tendo, em parte, o sonho americano.
A América Latina segue querendo ser Anglo-Saxônica.
Há tantas coisas que não temos...
Chips, maple, halloween, Arby’s, Hollywood, Playstation (a preços competitivos)
Temos apenas o desejo de não sermos nós.
Temos apenas o desejo de ser eles.
Temos apenas o desejo de ser Angelina Jolie.
Apenas Cuba teve uma Revolução Cubana.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Poema no. 1

senti-la
feri-la
parti-la
premi-la
sorri-la
demoli-la

porque

você oscila e
me aniquila
me fuzila
descarrila
me mutila
me asila
me exila
de mim mesmo
e cochila
em meu coração a esmo.

Um poema por dia

De hoje até 14/10/2011 escreverei um poema por dia e estarão todos aqui. Faça chuva ou sol, haja ou não "inspiração", aqui surgirá um poema por dia.

Os poemas serão apenas numerados e, para aqueles que tiverem uma formatação não usual, colocarei um link para baixar o arquivo, pois sinceramente não sei formatar em HTML.

Vamos ver no que dá.

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