um dia de aniversário
(por mais bolos
e etanóis
por mais horas
e notas
(e oitavas)
que possa ter)
é muito pouco para se descolar da vida
a vida
a dura e em frangalhos
a difícil e traiçoeira
que teima em queimar
as horas e os bolos
por mais amores e palavras doces
por mais doces encobertos
por mais debates açucarados
que possa ter
a vida queima
e teima em estar em mim
mais que eu nela
e em queimar mas a mim
que à vela
marcadores que iam ser
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
poema no. 275
minha querida amiga
o que dizer neste momento
em que a vida se embrutece
e irrompe em dor e
dúvida
se houvesse o que ser dito
talvez dissesse que a vida
não deve ser um processo
mas uma explosão de urgência
que tudo é urgente e
nada pode esperar
ou que
a vida é mais que sabê-la
e pensa-la
a vida é muda-la
(a vida é mudar a vida)
e é certo que você sabe
e é certo que você a vive
(pois você a muda)
assim
o que dizer que você não saiba
o que dizer que possa mudar a vida
(poemas não mudam a vida
é a nossa luta
dolorida e dolorida
que o faz)
o que dizer neste momento
em que a vida se embrutece
e irrompe em dor e
dúvida
se houvesse o que ser dito
talvez dissesse que a vida
não deve ser um processo
mas uma explosão de urgência
que tudo é urgente e
nada pode esperar
ou que
a vida é mais que sabê-la
e pensa-la
a vida é muda-la
(a vida é mudar a vida)
e é certo que você sabe
e é certo que você a vive
(pois você a muda)
assim
o que dizer que você não saiba
o que dizer que possa mudar a vida
(poemas não mudam a vida
é a nossa luta
dolorida e dolorida
que o faz)
sábado, 7 de julho de 2012
poema no. 274
andando
do alto do viaduto
me vejo no jardim
andando
no jardim
andando
entre flores árvores e bosta de cachorro
a vida é mais lenta e fria
não sou senão uma sombra
andando
no jardim
do que um dia se animará
a andar sobre o concreto
do alto do viaduto
me vejo no jardim
andando
no jardim
andando
entre flores árvores e bosta de cachorro
a vida é mais lenta e fria
não sou senão uma sombra
andando
no jardim
do que um dia se animará
a andar sobre o concreto
quarta-feira, 4 de julho de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
poema no. 272
os tempos são difíceis
menos porque as massas
ainda possuam ilusões burguesas
(menos
inclusive
porque a despeito do que me diga lenin
há o sentimento de que elas talvez sempre as tenham)
os tempos são difíceis
e não são porque às vezes me sinto só
com minhas companheiras
gritando para o vazio
são difíceis como poucas vezes o foram
e tampouco penso que seja
pela imensa apatia
que se abate sobre nós
os tempos são difíceis
e duros
e ásperos
porque sobre nós é despejado
todo o ódio
que brota
da estupidez estanque
do conservadorismo verdadeiro
menos porque as massas
ainda possuam ilusões burguesas
(menos
inclusive
porque a despeito do que me diga lenin
há o sentimento de que elas talvez sempre as tenham)
os tempos são difíceis
e não são porque às vezes me sinto só
com minhas companheiras
gritando para o vazio
são difíceis como poucas vezes o foram
e tampouco penso que seja
pela imensa apatia
que se abate sobre nós
os tempos são difíceis
e duros
e ásperos
porque sobre nós é despejado
todo o ódio
que brota
da estupidez estanque
do conservadorismo verdadeiro
segunda-feira, 25 de junho de 2012
poema no.271
acontece
companheiras
que sou machista
lutar contra o que sou
contra o que sempre fui
(e talvez
a despeito de nossa luta e de meu desejo
contra o que eu sempre seja)
é a luta a que não posso me negar lutar
não posso porque alguns fronts só eu os alcanço
companheiras
que sou machista
lutar contra o que sou
contra o que sempre fui
(e talvez
a despeito de nossa luta e de meu desejo
contra o que eu sempre seja)
é a luta a que não posso me negar lutar
não posso porque alguns fronts só eu os alcanço
e então
quando diante de todos e todas ou tod@s
surge aquela piada aquele escárnio aquele olhar de quem pode sobre quem não pode
quando diante de todos e todas ou tod@s
surge aquela piada aquele escárnio aquele olhar de quem pode sobre quem não pode
é que estou perdendo
(mesmo que diante do garçom
me recuse a aceitar a conta)
(não é de retórica a nossa luta
é de verdade)
(mesmo que diante do garçom
me recuse a aceitar a conta)
(não é de retórica a nossa luta
é de verdade)
sábado, 23 de junho de 2012
poema no. 270
não somos os mais numerosos
nem os mais organizados
nem os mais ofensivos
nem os mais radicais
mas os companheiros
e as companheiras
do m.e. da unifesp bs
certamente são daqueles
que mais se entregam
mesmo sem saber o que virá
e querendo aquilo
que a canção diz
a terra mãe livre comum
nem os mais organizados
nem os mais ofensivos
nem os mais radicais
mas os companheiros
e as companheiras
do m.e. da unifesp bs
certamente são daqueles
que mais se entregam
mesmo sem saber o que virá
e querendo aquilo
que a canção diz
a terra mãe livre comum
sábado, 16 de junho de 2012
poema no. 269 ou poema inaudível
22
estudantes
companheiros em luta
por uma universidade
pública
gratuita
de qualidade
e socialmente referenciada
foram agredidos e presos
qualquer coisa que se possa dizer
parecerá apenas mais um jargão
(não cabe no poema
o som dos tiros
e dos gritos da companheira)
quinta-feira, 14 de junho de 2012
poema no. 268
minha amiga nayara moreira gatti
fala
e a liberdade acontece
meu corpo se aquece na
fala
de minha amiga nayara moreira gatti
é que quando ela fala
eu digo o que eu ia dizer
e não preciso mais
(parece que minha amiga
a companheira nayara moreira gatti
sabe o que penso)
claro que pode ser apenas coincidência
ou a consequência de uma formação política com muitos termos em comum
mas na minha cabeça
só fica o calor que me produz a fala da companheira -
a minha amiga nayara moreira gatti
fala
e a liberdade acontece
meu corpo se aquece na
fala
de minha amiga nayara moreira gatti
é que quando ela fala
eu digo o que eu ia dizer
e não preciso mais
(parece que minha amiga
a companheira nayara moreira gatti
sabe o que penso)
claro que pode ser apenas coincidência
ou a consequência de uma formação política com muitos termos em comum
mas na minha cabeça
só fica o calor que me produz a fala da companheira -
a minha amiga nayara moreira gatti
sexta-feira, 8 de junho de 2012
poema no. 267
"Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razon (...)"
(Victor Jara)
sentir a razão
a dor da razão
ouvir a razão
e sentir mais pensar
não há paradoxo
não há dialética
não há síntese
mas é que a razão
torna-se sentir
e sentir torna-se
lutar
e quando
se sente a luta
e quando
a luta vira sentido
sonhar
pensar
lutar
torna-se intimidade
e
identidade
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