a luta de classes
se trava também sem luta
ou
na luta que se trava no convencimento
de que só a luta muda
a gente
que só a gente muda
a luta
a luta de classes
se trava também nas ruas
se trava comendo bala
se trava chorando nas nuvens
de gás
se trava socorrendo feridos
se trava na dúvida de si
na dúvida do mundo
se trava não sabendo que passo dar
para onde dar
a luta de classes se trava parando por um segundo
e olhando o mundo
e entendendo-o
e comendo bala
e chorando gás
a luta de classes se trava entre classes
contra a classe que oprime
que domina
que se infiltra
que aponta meninos
mas
que teme
a minha classe
marcadores que iam ser
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domingo, 23 de junho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
Nu no Azul
A imagem de fundo desta semana é esta ao lado. Nu no Azul.
Foi feita precariamente a partir da técnica de light painting, com uma câmera amadora, mesmo. Utilizando a função "retrato noturno".
Foi feita precariamente a partir da técnica de light painting, com uma câmera amadora, mesmo. Utilizando a função "retrato noturno".
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Esboço de Blog de cara nova e com novidade
O esboço de blog que ia ser passou por uma revisão estética e terá uma novidade. Toda semana haverá uma nova imagem de fundo. Ela será alterada digitalmente para atender ao esquema de cores do blog, mas a imagem original será postada também no blog.Nesta semana a imagem de fundo é uma foto minha, do Parque do Ibirapuera. É uma fotografia multi-exposta de um bosque do parque.
E seguem os artigos sobre cultura e arte em "esboços quentes" e o "um poema por dia", que já está em sua reta final.
domingo, 9 de junho de 2013
poema no. 361
companheira
não sou nada
nem posso ser nada
agora que o mundo se abre num abismo
e se mostra em dor
não somos próximos
não somos nada
mais que companheiros de luta
em busca de outro mundo
(um que não possua abismos
um que não se mostre em dor)
e por não sermos nada mais que companheiros
é que te digo
há aqui um companheiro
e em volta há tantas outras
tantos outros
a vida seguirá doendo
haverá ainda (talvez para sempre) um buraco do tamanho de um abismo doloroso
mas teus companheiros
e tuas companheiras
sempre haverão de estar ao teu lado
para sofrer de tua dor
se for preciso
e para seguirmos
adiante
não sou nada
nem posso ser nada
agora que o mundo se abre num abismo
e se mostra em dor
não somos próximos
não somos nada
mais que companheiros de luta
em busca de outro mundo
(um que não possua abismos
um que não se mostre em dor)
e por não sermos nada mais que companheiros
é que te digo
há aqui um companheiro
e em volta há tantas outras
tantos outros
a vida seguirá doendo
haverá ainda (talvez para sempre) um buraco do tamanho de um abismo doloroso
mas teus companheiros
e tuas companheiras
sempre haverão de estar ao teu lado
para sofrer de tua dor
se for preciso
e para seguirmos
adiante
poema no. 360
sei que não farei um poema
não há talento
nem dedicação neste momento
para que seja escrito um poema
não há paciência para que se desconstrua a linguagem
para que eu me detenha sobre a forma
para que eu pense sobre questões de prosódia
ainda assim
escreverei com meu estômago
que queima
de tanto que como
na tentativa de me tornar feliz
substituindo-te
por gorduras e sal
escreverei sob a vertigem
e mais
sob a intensa certeza de saber-me tolo
fraco e tolo
imensamente fraco tolo e bobo
vertiginosamente
escreverei ao léu
não um poema
mas uma cuspida
após o pronunciamento de seu nome
lacrimal
não há talento
nem dedicação neste momento
para que seja escrito um poema
não há paciência para que se desconstrua a linguagem
para que eu me detenha sobre a forma
para que eu pense sobre questões de prosódia
ainda assim
escreverei com meu estômago
que queima
de tanto que como
na tentativa de me tornar feliz
substituindo-te
por gorduras e sal
escreverei sob a vertigem
e mais
sob a intensa certeza de saber-me tolo
fraco e tolo
imensamente fraco tolo e bobo
vertiginosamente
escreverei ao léu
não um poema
mas uma cuspida
após o pronunciamento de seu nome
lacrimal
sexta-feira, 7 de junho de 2013
AMOR ANTICAPITALISTA
Poema de El Rey Peste
Tradução de Mauricio de Oliveira Filho
Original em Espanhol pode ser lido no Blog do próprio autor em Cultura Indigente.
No dia em que decidimos abolir
a propriedade privada,
deixei de crer-me teu,
deixaste de crer-te minha
e, por fim, nos descobrimos
livremente NOSSOS.
Uma mais valia de beijos
encheu as calçadas,
a poesia saiu desnuda
até a rua
para socializar metáforas.
A dialética da saliva
varreu os capitalistas
das esquinas.
A burguesia buscou
refúgio nos tapetes,
enquanto as mulheres públicas
se emancipavam
do dicionário.
No dia em que abolimos a propriedade,
nos descobrimos NOSSOS
e um fantasma percorreu
Europa
e Asia e
América
e África..
Tradução de Mauricio de Oliveira Filho
Original em Espanhol pode ser lido no Blog do próprio autor em Cultura Indigente.
No dia em que decidimos abolir
a propriedade privada,
deixei de crer-me teu,
deixaste de crer-te minha
e, por fim, nos descobrimos
livremente NOSSOS.
Uma mais valia de beijos
encheu as calçadas,
a poesia saiu desnuda
até a rua
para socializar metáforas.
A dialética da saliva
varreu os capitalistas
das esquinas.
A burguesia buscou
refúgio nos tapetes,
enquanto as mulheres públicas
se emancipavam
do dicionário.
No dia em que abolimos a propriedade,
nos descobrimos NOSSOS
e um fantasma percorreu
Europa
e Asia e
América
e África..
terça-feira, 28 de maio de 2013
poema no. 359
deixo um coração cortado
e me sinto mal
mas que sei fazer senão
cortar corações
alguém está
meio perdido
meio sem norte
meio sem nada
meio desorientado
meio sem saber o que fazer
meio achando-se desencantado
por que cansa achar-se encantado
(ouvindo a vida
com ouvidos sérios
não se tem espaço
para ouvir delicadezas)
(e dizê-las)
(ademais
tudo indo)
e me sinto mal
mas que sei fazer senão
cortar corações
alguém está
meio perdido
meio sem norte
meio sem nada
meio desorientado
meio sem saber o que fazer
meio achando-se desencantado
por que cansa achar-se encantado
(ouvindo a vida
com ouvidos sérios
não se tem espaço
para ouvir delicadezas)
(e dizê-las)
(ademais
tudo indo)
poema no. 334 na parede da sala
O poema no. 334 (leia completo aqui) recebeu uma homenagem de uma amiga muito querida. Apesar de ficar sem graça quando vou à sua casa (ele foi pintado na parece da sala), fico absolutamente lisonjeado.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
poema no. 358
1.
a vida não se abre
como se abre uma janela
(janelas não se abrem)
2.
o que há de mais terno
em você
é seu ódio
(é lindo que você odeie)
pela opressão
pela criminalização da juventude negra e pobre
pelo aparelhamento partidário dos movimentos sociais
seu ódio é o nosso ódio
mas sua carranca
é a sua manifestação
primeira
e justa
3.
é preciso te saber
antes de te gostar
te gostar
é um exercício de dolorido gozo
não se te saber pelo verbo
mas pela ação
por teus olhos que ferem
por teus olhos que choram de dor e mágoa do movimento estudantil
mas isso ainda é muito pouco
para te saber
para te saber
é preciso mais que olhar para a sua vida
(a vida não se abre)
mais que amar teu ódio e
mais que te saber agente
te saber é estar ao seu lado
odiando do seu ódio
chorando do seu choro
lutando da sua luta
(a nossa)
a vida não se abre
como se abre uma janela
(janelas não se abrem)
2.
o que há de mais terno
em você
é seu ódio
(é lindo que você odeie)
pela opressão
pela criminalização da juventude negra e pobre
pelo aparelhamento partidário dos movimentos sociais
seu ódio é o nosso ódio
mas sua carranca
é a sua manifestação
primeira
e justa
3.
é preciso te saber
antes de te gostar
te gostar
é um exercício de dolorido gozo
não se te saber pelo verbo
mas pela ação
por teus olhos que ferem
por teus olhos que choram de dor e mágoa do movimento estudantil
mas isso ainda é muito pouco
para te saber
para te saber
é preciso mais que olhar para a sua vida
(a vida não se abre)
mais que amar teu ódio e
mais que te saber agente
te saber é estar ao seu lado
odiando do seu ódio
chorando do seu choro
lutando da sua luta
(a nossa)
Homem de Aço
You're gonna crucify me
|
Já foram escritos muitos textos neste Esboço de Blog a respeito da indústria cultural, da cultura de massa, do mercado editorial etc (veja aqui, aqui e aqui).
O novo filme do Super-homem se enquadra em mais ou menos tudo isso. É um filme da indústria cultural, feito só pra ter lucro, é um ícone da cultura de massa, e tem suas origens no mercado editorial de quadrinhos, com tudo de podre que ele oferece (veja aqui o que já foi escrito sobre a morte de heróis nas HQ's). Mas acontece que, diferente de outras vezes, eu estou muito ansioso para ver este filme. E por vários motivos.
Em primeiro lugar, nasci homem, cresci homem e como tal, fui ensinado a gostar de pancadaria. Claro de há alguns anos venho reconfigurando meus gostos. Mas há ainda um ranço nostálgico que me visita por vezes.
Pelo mesmo motivo, numa pequena fase de minha adolescência eu gostei bastante de quadrinhos. E não era de Piratas do Tietê, nem de nenhum fanzine do colégio, mas de Super-homem, X-Men e congêneres. Comecei a ler pouco antes de rolar aquela história da morte do Super-homem. História ridícula, feita pra vender gibi e que deu certo.
Em suma, Super-homem se tornou meu personagem favorito. Na verdade parei de lê-lo poucos anos depois de ter começado (um ou dois), mas ficou uma coisa nostálgica que é reflexo do laço da cultura de massa. E apesar de saber de tudo isso, não consigo não ficar ansioso para ver o filme. É como torcer para um clube de futebol apesar de saber de toda a sujeira que envolve o futebol profissional.
Em parte me alivia saber que consigo distanciar-me de meu prazer adolescente e fazer uma leitura crítica de quê significa o Super-homem para a cultura de massa. Em parte me envergonho de não conseguir me distanciar o bastante para não ir ao cinema alimentar essa máquina de fazer dinheiro às custas do trabalho de muitos e da alienação de milhões. Mas, em parte também sei que fui socializado aqui, não em Marte, e por isso será difícil mesmo libertar-me de alguns hábitos bobos, como ficar acompanhado as notícias do filme de seu herói favorito.
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