às companheiras e companheiros do Coletivo Construção
primeiro que tudo
viram em volta
e tudo
tudo era
dor e morte
e sua classe
e seu povo
e elas e eles
doíam e morriam
então sonharam
um sonho simples
de que um outro mundo
era possível
um mundo sem posses
um mundo sem donos
um mundo
onde ninguém fosse de ninguém
onde o mundo fosse de todos
e era tão bom que sonhassem
e tão bonito o sonho
que uniram seus sonhos
se agigantaram
em esperança
viva
desperta de todo sono
liberta de todo medo
e de tão
gigantes que ficaram
todas todos
juntos juntas
cerraram os punhos
gritaram para o alto
puseram-se em luta
e
puderam ver
ainda que sob uma espessa fumaça
ainda que sob mais e mais camadas
de repressão de dor e desgraça
um mundo novo
em que todos são
livres
para Sonhar,
para Unir e
para Lutar!
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sexta-feira, 6 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
poema só
era assim
eu amava os cinco
e os cinco me amavam
mas
um tinha problemas de saúde
outra tinha problemas de vida
outro tinha problemas comigo
outra tinha problemas consigo
outro tinha problemas sem mim
e
aí
fiquei sozinho
eu amava os cinco
e os cinco me amavam
mas
um tinha problemas de saúde
outra tinha problemas de vida
outro tinha problemas comigo
outra tinha problemas consigo
outro tinha problemas sem mim
e
aí
fiquei sozinho
domingo, 18 de maio de 2014
amor de resistência
de tanto amar
e de tanto querer amar
mais e mais
mais sofro
de tão pouco amor
que sobra do amor
e tanto que sofro
e tanto que temo
imergir em mais dor
resisto ao amor
porém me ocorre
que estar livre do amor
é como render-se
como temer-se
(é preciso amar
como se houvesse amanhã
como se amanhã
um mundo novo fosse nascer
se eu amasse um amor que luta
se eu amasse um amor que avança)
e de tanto me ocorrer o amanhã
de tanto me surgir o adiante
resisto a resistir ao amor
e amo um amor que persiste
um amor de resistência
e de tanto querer amar
mais e mais
mais sofro
de tão pouco amor
que sobra do amor
e tanto que sofro
e tanto que temo
imergir em mais dor
resisto ao amor
porém me ocorre
que estar livre do amor
é como render-se
como temer-se
(é preciso amar
como se houvesse amanhã
como se amanhã
um mundo novo fosse nascer
se eu amasse um amor que luta
se eu amasse um amor que avança)
e de tanto me ocorrer o amanhã
de tanto me surgir o adiante
resisto a resistir ao amor
e amo um amor que persiste
um amor de resistência
terça-feira, 13 de maio de 2014
sem posse
nossa relação
não é fechada
que um mundo
é tão pouco
para me bastar
nossa relação
não é aberta
fechado que sou
em mim e no que
me basto
nossa relação
não é livre
que neste mundo
quem é livre
pra ser e para amar
nossa relação
é uma relação
que luta
contra si
contra nós
que nós
ainda não nos bastamos
neste mundo
com tantos amos
não é fechada
que um mundo
é tão pouco
para me bastar
nossa relação
não é aberta
fechado que sou
em mim e no que
me basto
nossa relação
não é livre
que neste mundo
quem é livre
pra ser e para amar
nossa relação
é uma relação
que luta
contra si
contra nós
que nós
ainda não nos bastamos
neste mundo
com tantos amos
quarta-feira, 30 de abril de 2014
tua luta
A Júlia Clara
companheira
se falo de ti
e minha boca
fala dele
é que meus olhos
ainda só veem
o que está aparente
essa tua luta
contra tudo
o patriarcalismo
o olhar dicotômico sobre nossos corpos
sobre nossos olhares
essa tua luta
é também contra o meu olhar acostumado
o meu olhar viciado
o meu olhar
que de tanto querer mudar o mundo
esqueceu de mudar a si mesmo
de mudar a mim
por isso
sigamos
companheira
em luta
nossos corpos irão mudar
nossos olhares irão mudar
o mundo irá mudar
tu serás tu
e eu já não serei mais eu
serei outro
o outro que te reconhece em mim
companheira
se falo de ti
e minha boca
fala dele
é que meus olhos
ainda só veem
o que está aparente
essa tua luta
contra tudo
o patriarcalismo
o olhar dicotômico sobre nossos corpos
sobre nossos olhares
essa tua luta
é também contra o meu olhar acostumado
o meu olhar viciado
o meu olhar
que de tanto querer mudar o mundo
esqueceu de mudar a si mesmo
de mudar a mim
por isso
sigamos
companheira
em luta
nossos corpos irão mudar
nossos olhares irão mudar
o mundo irá mudar
tu serás tu
e eu já não serei mais eu
serei outro
o outro que te reconhece em mim
quarta-feira, 23 de abril de 2014
desamor
Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios (...)
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá… Que importa?
Todos os poemas são de amor!
Mário Quintana
meu dia é de dor
na luta que luto
no luto que guardo
pelos companheiros
pelas companheiras
que se foram
e se luto
se sigo em luta
se ponho em riste
meus punhos cerrados
e avanço cantando
canções de luta
de companheiras e companheiros
que já se foram
é que eu mesmo
já me fui
e se fico por aí
suspenso
içado vagando sem rumo
sem prumo
amando
sabe-se lá o que
por quê
pra quê
lembro que amor
não se ama em sonho
se ama em luta
num vento que anda por descampados e desvios (...)
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá… Que importa?
Todos os poemas são de amor!
Mário Quintana
meu dia é de dor
na luta que luto
no luto que guardo
pelos companheiros
pelas companheiras
que se foram
e se luto
se sigo em luta
se ponho em riste
meus punhos cerrados
e avanço cantando
canções de luta
de companheiras e companheiros
que já se foram
é que eu mesmo
já me fui
e se fico por aí
suspenso
içado vagando sem rumo
sem prumo
amando
sabe-se lá o que
por quê
pra quê
lembro que amor
não se ama em sonho
se ama em luta
terça-feira, 15 de abril de 2014
chuva boa
a chuva que deixa
a praia deserta
mesmo neste lado da cidade
onde a especulação imobiliária
encheu de torres o horizonte
onde uma avenida
homenageia um ditador
ao longo de duas dezenas
de quilômetros
de praia
onde há imagens pagãs
e fontes de água turva
e um ou outro mendigo
tumultua a caminhada matinal
de cães de raça
esta chuva que cai
e rega as rosas de meu vizinho
e cujo som se assemelha
a um riacho
de água esperta
se lança distante daqui
em bairros que repousam
embaixo de águas calmas
(não somos de ninguém)
a praia deserta
mesmo neste lado da cidade
onde a especulação imobiliária
encheu de torres o horizonte
onde uma avenida
homenageia um ditador
ao longo de duas dezenas
de quilômetros
de praia
onde há imagens pagãs
e fontes de água turva
e um ou outro mendigo
tumultua a caminhada matinal
de cães de raça
esta chuva que cai
e rega as rosas de meu vizinho
e cujo som se assemelha
a um riacho
de água esperta
se lança distante daqui
em bairros que repousam
embaixo de águas calmas
(não somos de ninguém)
terça-feira, 8 de abril de 2014
segurança
a polícia
que te protege
que te deixa
são e salvo
se por acaso
tu passas na quebrada
é a que quebra minha cara
preta (só porque ela é preta)
é a que mata meninos
é a que viola meninas
onde o seu candy crush
não chega
é a que invade o meu bairro
e nos explica o que é o
terror
a polícia que te protege
te protege
de mim
que te protege
que te deixa
são e salvo
se por acaso
tu passas na quebrada
é a que quebra minha cara
preta (só porque ela é preta)
é a que mata meninos
é a que viola meninas
onde o seu candy crush
não chega
é a que invade o meu bairro
e nos explica o que é o
terror
a polícia que te protege
te protege
de mim
sábado, 29 de março de 2014
sem título
de que vale para mim
o teu amor o de rita o de gilberto
se adiante meu peito aberto
se tornará um beco
com saída pro fim
o teu amor o de rita o de gilberto
se adiante meu peito aberto
se tornará um beco
com saída pro fim
domingo, 23 de março de 2014
sobre a liberdade
O mundo não terá fronteiras
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
(Mauro Iasi)
quando
nossos corpos são profanados
e arrastados e ocultados
das famílias e de deus
e nossa história é profanada
e toda a sorte de blasfêmias
nos registra e nos nomeia
nos marca a pele
quando
nossas genitálias são violadas
por armas fálicas e olhares fálicos
não é necessário temer
a volta de ditadores
que do cerne
de nossa classe
jamais se foram
é preciso ir à luta
ombro a ombro
com justeza
com a certeza
de que nossa pátria
é a nossa classe
Nem estados, nem militares para proteger estados
Nem estados para proteger militares prepotências
(Mauro Iasi)
quando
nossos corpos são profanados
e arrastados e ocultados
das famílias e de deus
e nossa história é profanada
e toda a sorte de blasfêmias
nos registra e nos nomeia
nos marca a pele
quando
nossas genitálias são violadas
por armas fálicas e olhares fálicos
não é necessário temer
a volta de ditadores
que do cerne
de nossa classe
jamais se foram
é preciso ir à luta
ombro a ombro
com justeza
com a certeza
de que nossa pátria
é a nossa classe
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