segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

poema no. 338

compañeras
compañeros

que se han ido
hasta otras luchas
(que son la misma)

yo
que iba
con la cabeza baja
con los ojos cerrados
de tristeza

estoy fuerte
y estoy fuerte
porque ustedes

compañeras
compañeros
existen
y luchan otras luchas

que son la misma lucha
que lucho
que luchamos

sábado, 19 de janeiro de 2013

poema no. 337

aguardando
no sereno

pele úmida
fala trêmula
corpo rígido

um tanto ingênuo
pensando que

te voltarás para mim
te colocarás diante de mim
te acomodarás sobre mim
e dirás
qualquer coisa
que não signifique

tchau

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sobre o risco de escrever poemas

Sério. Tô bem!
     Poemas são literatura. Mas um tipo bem específico de literatura, pois em poesia a obra tem uma identificação muito íntima e carnal, mesmo, com o(a) autor(a). Por isso não é raro que pessoas me olhem estranho após aquele poema mais triste. Ou me abracem. Ou me olhem feio, por ver no poema uma clara referência a si mesmos. Pois a verdade é que, em muitas vezes, essas pessoas não estão delirando. De verdade, há referências a fatos reais, pessoas reais, coisas reais, ao Mauricio real nos meus poemas. Mas muitas, muitas vezes, não. Muitas vezes pessoas são criadas (vocês, elas, eles, eus) para que eu consiga dizer algo, ou para que eu consiga não dizer algo (às vezes quero não dizer).
     Não que o poema seja mero exercício de linguagem, ou que a construção do poema se assemelhe à construção de um conto ou qualquer obra de ficção. Não, o poema não acontece se o poeta não está afetado. É preciso que algo aconteça. Não uma inspiração. Não uma mágica. Não um toque do espírito santo. Mas é preciso estar além do estado ordinário. É preciso que haja um afastamento, um estranhamento do cotidiano. É preciso um afetamento.
     Mas, reitero: não levem-nos tão a sério, os poemas. Ou melhor, levem-nos a sério, mas não os tomem por páginas de um diário, ou por consultas com o psicanalista. Poemas são poemas, e isso já é demais.

poema no. 336

nossa história
é uma mola
agora ela fez
tóim óim óim
e nós ficamos assados

temos que
subir subir
andar andar
(eu por um lado
você por outro)
e quando ela fizer
tuim uim uim

nós estamos assim
de novo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

poema no. 335 ou canção bobinha que sonhei

no teu poema
a tua musa não era eu

na tua canção
não era minha boca
que estava em tua voz

a tua mão
eu sabia
jamais repousaria
em meu coração

mas meu amor
ficar de longe
só olhando
esperando
e sabendo

até pra mim
que sou bobinha
tem um fim

sábado, 12 de janeiro de 2013

poema no. 334

diz alexandra kolontai
(uma poeta russa)

- O homem atual não tem tempo para amar -

então é por tanto amar
que me sinto fora do eixo
fora dos trilhos
fora do tempo
fora do mundo
(deste mundo)

um deslocando
um despertencente

é por tanto amar
que quero outro mundo
onde caiba tanto amor

onde caibam eus
onde caibam vocês

eu sei
que neste mundo não cabemos
que neste mundo
onde tudo se compra
onde a existência é mercantil

não cabemos eu e
meu amor
                      eu e você

por isso
hei de mudá-lo
eu e minhas companheiras
eu e meus companheiros
verteremos este mundo

numa terra sem amos
        eu e meus amores

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

poema no. 332

eu entendo
(foste)
     entendo
porquês
     entendo
o quês

mas entende
é
porque
foste
      que
fosso

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

poema no. 330

minha tristeza é calma
e doce

é paciente a minha tristeza
e displicente

(uma tristeza que ri
uma tristeza que sonha
uma tristeza que fronha)

minha tristeza às vezes dorme
e fica dormindo até o dia em que faz sol

é de sol e amena a minha tristeza
é de sódio e morna
é só e doce
a minha tristeza (e calma)

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