domingo, 17 de julho de 2011

poema no. 243

a moça tinha razão
ela não precisava tomar chuva só para marcar o ponto
ela ia se molhar toda e pegar um resfriado

o ponto podia esperar
todos a viram todo o dia

mas não houve quem a ouvisse
ela não recebeu o salário
e ponto final
_____________________________
15/06/2011

poema no. 242

a casa de retaguarda S.F.A.
é uma incongruência

a banana é de primeira
e a carne é de terceira
_________________________________
14/06/2011

poema no. 241

o estado
oprime
reprime
segrega
mas ainda vamos
leva-lo ao seu lugar

o estado
senhores
é um purê de batatas
e nada mais
____________________________
13/06/2011

poema no. 240

guerras
guerras
guerras
e uma revolução

o futuro
a quem pertence
_______________________
12/06/2011

poema no. 239

dizer no
amor
o mar
mais que
meu bem
________________________
11/06/2011

poema no. 238

não sei mais
o que ocorre
em ti

tinha coisa
que eu não sabia

mas agora
não sei tu
não sei eu

________________________
10/06/2011

poema no 237


o centro de são paulo está limpo

lavaram o cheiro de urina que tinha lá
e também as paredes pichadas
lavaram todas

e como profilaxia
detiveram todos os que urinavam e pichavam por ali

de vez em quando é necessário jogar água em pessoas nas ruas
(mas só nos que moram nas ruas e precisam urinar nelas)
e bater em gente que escreve nas paredes

mas o centro
veja
uma beleza
uma beleza
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09/06/2011

poema no. 236 ou cegueira

a garota me confirma
o emissário é muito belo

a vista é muito bela
a partir do deque

o mar é muito belo
e também a ilha
(a pequena ilha que vimos da ilha)

e se partir do poupatempo
em direção à praia
tudo fica cada vez mais belo

o problema
ela diz
são as pessoas mesmo
_________________________
08/06/2011

poema no. 235


ppppppppp
ooooooooo
eeeeeeeeee
sssssssssss
i i i i i i i i i
aaaaaaaaa

poezia
____________________
07/06/2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

poema no. 234



















__________________________
06/06/2011

poema no. 233

um beijo é tanto
                  tanto

que se ocorre

um beijo
              é tanto
                 tanto

que me ocorre
              correr
____________________________
05/06/2011

poema no. 232


por entre teus seios
                tuas bocetas
                               (todas elas)
que me enchem de todos os prazeres
                               (todos eles)
pela pequena fenda onde te fodo
                                onde enfio meu uno e
        falas
                de meu
        falo

por entre os teus orifícios melados
escorregam meus amores sujos

(toda a lascívia imunda com que te amo)
_____________________________
04/06/2011

poema no. 231


acolher
é proteger

é preciso mais
que ameaça
desconfiança e
fiança
_______________________
03/06/2011

poema no. 230


quando você surgiu
nua e úmida
com rosto de vontade

virei ateu
pra não fazer pecado
_______________________________
02/06/2011

poema no. 229


gente morre sob tiros
gente morre sob castanhas
gente morre sob enxadas
gente morre
gente morre
gente morre

(o Estado mata)
________________________
01/06/2011

poema no. 228


preciso

mais que necessário

exato
______________________
31/05/2011

poema no. 227


poema
não é
exercício
do canto

é uma fuga
de Kant
________________
30/05/2011

poema no. 226


mudez
pela fala
pelo falo

pela nudez
desavisada
_______________
29/05/2011

poema no. 225


há coisas muito chatas na revolução
seu longo não acontecer
por exemplo

________________________
28/05/2011

poema no. 224

torta
a vida

torná-la direita

sinistra

______________________
27/05/2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

poema no. 223

Uma das críticas mais comuns ao Bolsa Família
é que ele fomenta o ócio, a vagabundagem, pois premia
a incompetência.

No entanto, quem se contentaria com tão pouco?

O Bolsa Família é uma merda porque
veste o lobo de cordeiro e, assim, desmobiliza
o trabalhador na sua luta verdadeira por sua conquista
verdadeira: sua emancipação. A superação desta sociedade.
A conquista do socialismo..

uma família
com 7 membros
pode receber no máximo 690 reais por mês
(se receber Bolsa-Família)

690 reais são 98,57 reais
por pessoa

98,57 reais são 3,29 reais
por dia

3,29 reais não são um prato de comida

___________________________
26/05/2011

poema no. 222

Everton evadiu
(também)
ele não queria ir para a escola
de carro

prefiria ônibus

então
um dia
ele nos xingou só por conta de um pente
e depois de pensar muito no quarto sozinho
decidiu pular o muro
e evadiu

porque nós não éramos
nem seus pais
nem suas mães
nem seus amigos
______________________
25/05/2011

poema no. 221

mamaẽ
papai
meu amor e filhos queridos
todos os meus poucos amigos
e quem mais notar

se acaso eu for preso
não se assustem

terei apenas matado um banqueiro

(vocês ainda se orgulharão de mim)
________________
24/05/2011

poema no. 220

Eike Baptista
é o oitavo homem mais rico do mundo
(só que ele é ligeiro
e logo será o primeiro
e todos vibraremos)

Misael
era o oitavo adolescente mais querido na C.R.S.F de A.
(só que ele foi ligeiro
e fugiu
e todos vibramos)
_________________
23/05/2011

poema no. 219

escola de pobre
é de graça
e uma merda

escola de rico
é paga
e uma merda

o mercado gosta da merda do rico

_________
22/05/2011

poema no. 218

40 anos
na mesma empresa
não é para qualquer um

para isso
é preciso muito acidente de trabalho
e resignação
______________
21/05/2011

Poema no. 217

bata-nos na face
e lutaremos

de-nos um band-aid
e agradeceremos

(ainda que ofendidos
de vagabundos)

_________________________
20/05/2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

poema no. 216

Marcelo é louro
Misael é preto

Marcelo teve tudo (mas foi ingrato)
Misael teve a mãe esfaqueada

Marcelo evadiu
Misael evadiu

Ambos voltarão

(inclusive a evadir)

____________________
19/05/2011

poema no. 215

Marcelo e Misael evadiram da Casa de Retaguarda S.F. de Assis

isso quer dizer que eles fugiram
isso quer dizer que eles estavam presos

_________________
18/05/2011

poema no. 214

muito pouco pode ser feito
numa reunião de célula
       
        nenhuma pessoa passará a comer
        nenhuma pessoa passará a morar
        nenhuma pessoa se emancipará
        daqui a 1h30 por conta dessas
                    1h30

mas a revolução passa por aqui

(também)

____________
17/05/2011

poema no. 213

neste frio
que mata muitas pessoas
invisíveis em partes invisíveis
da cidade

olho para o mar
agasalhado
de costas para a
cidade
___________________
16/05/2011

poema no. 212 ou trabalho alienado

quanto mais eu valia
menos eu sabia
________
15/05/2011

poema no. 211

é preciso mais que um partido
pra se fazer a revolução

é preciso um inteiro

_________________
14/05/2011

poema no. 210

o mundo todo sofre
um sexto dele passa fome
neste momento alguem morre envennado pela indústria farmacêutica

mas agora
                afogando-me em tua vagina
sou tão egoísta...

___________
13/05/2011

poema no. 209

inventaram um modo cruel
de se matar gente

chama-se salário

_______________
12/05/2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

poema no. 208 ou alienação

os direitos humanos
veja só
não dão o direito a ser humano
_______________________________
11/05/2011

poema no. 207

vocês são donos do poder
nós somos donos do porvir
_______________
10/05/2011

poema no. 206

a esquerda
não quer um mundo rico
       quer um mundo justo

rico ele já é

______________
09/05/2011

poema no. 205

gritos não resolvem

ajudam
           sim
mas contra o algoz, algoz

____________________________
08/05/2011

poema no. 204 ou abrigo

a disciplina tem de ser
mantida
urgentemente

(a justiça social pode esperar)

_______________________
07/05/2011

poema no. 203

a revolução
pedro toledo
acontecerá a despeito
de sua reação

06/05/2011

Ritmo de atualizações

Isso é apenas uma montagem.
   Nos últimos tempos a vida deste esboçador degringolou. Como se não bastasse a costumeira falta de dinheiro, agora falta tempo, também.

   Fora a universidade, ainda tenho trabalhado de madrugada e feitomeu projeto de Iniciação Científica, além da militância na LSR e no Movimento Estudantil.

   Dessa forma, tem sido muito difícil atualizar o Esboço de Blog, mas os poemas do projeto um poema por dia tem sido escritos à mão e,sempre que posso os posto em lote.

   Os esboços quentes, por enquanto, estão suspensos. Mas assim que conseguir um notebook,passarei a atualizar o blog nas madrugadas.

   É isso. Sigam visitando o Esboço de Blog,como aliás não deixaram de fazer!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

poema no. 202

o poema no. 202 não pode nada
além de satisfazer o poeta

o poema no. qualquer só pode
e sempresó poderá
com o poeta

mas em volta do poeta
tudo aquilo o que não é o poeta
o poema no. 202 (e todos os outros)
não pode com nada

nem quer

poema no. 201

um mundo outro
é possível

e necessário

necessário
porque não cabemos neste

possível
porque não cabemos neste
e sabemos disto

poema no. 200

não é todo dia que
o trabalhador é protagonista

na verdade é quase nunca

e
mesmo hoje
só o foi
porque levou pancada

poema no. 199

quando este mundo não for
possível
alguns chorarão

serão poucos
e não seremos nós

domingo, 1 de maio de 2011

poema no. 198

vírgulas não trazem nada

não é preciso vírgulas
para se descobrir sobre
nada

nem para esquecer

poema no. 197

fumar maconha não é errado

armar crianças é

(matá-las também)
(fingir que não vê também)

poema no. 196

escrever não é se mostrar

meu poema não sou eu
meu poema é meu poema

(não me leia)

poema no. 195

eis que de repente sou apenas um militante
da Liberdade Socialismo e Revolução
e como tal
                 ora um companheiro
                 ora um adversário

acontece que
                      antes
quero apenas
a liberdade o socialismo e a revolução
e assim ser
                  ora um companheiro (dos companheiros)
                  ora um adversário (dos adversários)

poema no. 194

   uma moça me ensinou
           nunca haverá uma sociedade justa
                                  uma sociedade justa depende
          
            da justeza dos homens

            os homens não são justos

ora
     moça (retruquei
                               presunçoso)
se deus é justo
por que não haveríamos de ser

segunda-feira, 25 de abril de 2011

poema no. 193

sérgio lessa é um poeta

certa vez
em um sarau
disse

   o problema da habitação se resolve assim
   se cada morador de rua que encontrar uma casa vazia
   entrar nela
   está resolvido


e todos nós fomos aos soluços

poema no. 192

eu preciso existir
o mundo precisa de mim

afinal
quem diabos
além de mim e dos meus
para lamber com um sorriso no rosto
as bolas ricas dos donos do mundo

poema no. 191

o serviço social
pretende justiça social

contudo
o serviço social ainda
precisa informar suas pretensões
aos assistentes sociais

poema no. 190

acolher
é quase
escolher

-

as palavras mais duras
mais assustadoras
que mantenha na linha
quem vive na corda bamba

(pelo menos na Casa de Retaguarda
em Praia Grande
SP)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

poema no. 186

poderia escrever o dia todo

escuto verdes saborosos

ou qualquer outro verso sinestésico
mas
há verdades muito mais urgentes que qualquer verso
belo sinestésico ou não

sexta-feira, 15 de abril de 2011

poema no. 183

a vida é triste
ninguém nunca disse que não seria

é difícil vencer num lugar onde todos querem
e perder é triste

ainda mais quando apenas na vitória
é que se vive

poema no. 182

cuba não é um país socialista
(já houve um?)

com aquela burocracia...

mas que não há analfabetos, não há.

poema no. 181

cuba não é uma ilha

uma ilha é uma porção de terra
com água por todos os lados

cuba é uma porção de terra
com olhos por todos os lados

terça-feira, 12 de abril de 2011

sexta-feira, 8 de abril de 2011

poema no. 176

Cuba é um país sem democracia
cubanos não podem fundar partidos

felizes somos os brasileiros
que fundamos tanto quanto queremos

mas cubanos tem esgoto

poema no. 175

vamos para a folia
não vou
vamos
não
      não vou
                   (loucura demais)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Poliedro responde ao Esboço de Blog

Este esboçador não é bobo.
   O cursinho Poliedro, aquele onde nunca pus o pé, respondeu ao Esboço de Blog, sobre o caso de minha aprovação na PUC-SP em 2008 (entenda o caso aqui).
   A alegação é a de que um 'Mauricio de Oliveira Filho', vindo de Resende - RJ (assim, apenas um homônimo), que foi "aprovado e está na lista de nosso site". A empresa, contudo, não diz em que o estudante em questão teria sidoaprovado.
   O fato, é que em 2008, eu fui aprovado em Artes do Corpo na PUC. Se outro 'Mauricio de Oliveira Filho' tivesse sido aprovado no mesmo curso, no mesmo ano, haveriam dois "Mauricios de Oliveiras Filhos" na lista da PUC, e não havia. Havia somente um - eu.
   Assim, a explicação vaga do Sistema de Ensino Poliedro não me convenceu e sigo aguardando uma posição da empresa e decidido a tomar as providências cabíveis.
   Abaixo a resposta da empresa na íntegra.

Prezado Maurício de Oliveira Filho,

O Sistema de Ensino Poliedro agradece contato.

Primeiro, gostaríamos de agradecer a sua honestidade e ter nos informado o ocorrido, com a possibilidade, inclusive, de publicar a nossa resposta em seu blog.
Segundo, nas divulgações dos aprovados, independente da universidade, é comum aparecer casos de homônimos - pessoas diferentes com o mesmo nome.
Em 2007/2008, por exemplo, tivemos um aluno chamado Mauricio de Oliveira Filho, vindo de Resende (RJ). E este foi aprovado e está na lista em nosso site.

Esperamos ter esclarecido essa questão e estamos à disposição.

Atenciosamente,

Robson Ribeiro
Departamento de Comunicação e Marketing
Sistema de Ensino Poliedro

quarta-feira, 6 de abril de 2011

terça-feira, 5 de abril de 2011

poema no. 173

A nossa casa é onde a gente está
A nossa casa é em todo lugar
(Arnaldo Antunes)

a nossa casa
passa um rio no meio
mas é tão difícil de respirar
 
a nossa casa
passa tiroteio
e tem gente que acaba parando no mar
 
a nossa casa
não nos quer estar
ela nos quer em outro lugar
 

poema no. 172

cortiço de cortiça
diorama do submundo

quinta-feira, 31 de março de 2011

poema no. 168

fotografar com olhos alheios
à realidade

alheios a tudo o
mais

e
assim
trazer a realidade
uma outra realidade
distante distante
marginal

fotografar mais o menos

fotografia épica

quarta-feira, 30 de março de 2011

poema no. 167

estar louco
é prestar atenção em tudo
e em nada

é dar tanta atenção a tudo
que o sonho parece real

(quem disse não fui eu
foi o professor de psicologia social)

sexta-feira, 25 de março de 2011

poema no. 162

o que é a poesia
diante da fome que está para matar 1 bilhão de pessoas em todo o mundo

 a poesia
alimentado leitor
não é nada

não é nada para mais de 1 bilhão de pessoas
não é nada porque não lhes pode oferecer nada
que as mantenha vivas

e não estou colocando maslow na história

mas é que poesia dá fome

Capitão América

Não é uma propaganda
   Capitão América é talvez o símbolo maior da propaganda ideológica.

   Um herói vestindo a bandeira dos EUA, defendendo os ideais estadunidenses, batizado de "América" (mas eles não são imperialistas...) publicado num meio de comunicação de massa.
   Aí, isso chega no México e vende a rodo,chega no Brasil, e vende a rodo, chega no mundo todo, e vende a rodo. E ninguém contesta. Por que?
Porque não há como. Tudo é feito a partir de teorias de comunicação, as mesmas usadas em publicidade, para que não haja reflexão crítica diante daquilo. Da mesma forma que não contestamos aquele palhaço imbecil vestido de amarelo, diante da exploração de milhares de adolescentes ganhando uma miséria, não contestamos o herói estadunidense que salva o mundo a partir dos ideais estadunidenses, como se qualquer outra cultura não fosse o suficiente para o seu povo.
   E, é este personagem, que chegará em breve aos cinemas. É mais um filme para a lista "Este esboçador não assistirá".
   Abaixo, você não vê o trailer, o cartaz, nem nada.
   Veja aqui mais um título da lista.

O projeto artístico de Abraham Palatnik

pintura de luz
   Abraham Palatnik é um artista.

   Ele criou a arte cinética. E veja só, quando fez o curso técnico em motores de explosão, em Israel, em 1942, queria um emprego com vistas na imensa demanda que havia para a reforma e conserto de tanques de guerra.
   Anos mais tarde, de volta ao Brasil, depois de ter estudado arte também em Israel conhecer Mário Pedrosa e de Nise da Silveira, no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, rompe com tudo o que havia da forma clássica em sua arte, com o representativo, e parte para a abstração cinética. Uma arte que se move. Uma arte Heráclitica. Uma arte luminosa.

quinta-feira, 24 de março de 2011

poema no. 161

não tenho visto graça na vida

não que eu não esteja pra viver

mas ela tem estado de morrer

poema no. 160

fiz um poema na minha cabeça
mas só me lembro do começo

     quando acordei
     percebi que devia
     dormir e não ser

o chamei de Kaspar Hauser

terça-feira, 22 de março de 2011

poema no. 159

um prozac
ou dois
(dez dias de prozac
na verdade)

afastam toda tristeza
absurda
             mente triste

quão prosaico
me deixa o prozac

segunda-feira, 21 de março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

poema no. 155

estar em suas cavidades
não é
estar em você

você está
nas suas cavidades
mas não as é

estar nelas
é encontrar você

estar em você
é pensar você

quinta-feira, 17 de março de 2011

poema no. 154

espasmos na pálpebra esquerda
dedos encolhidos
cabeça coçando
pele descamando
vincos entre o peito e a barriga
umbigo triste
dentes ásperos

eis o poeta

e porque poeta

ainda mais asqueroso do que se possa supor

quarta-feira, 16 de março de 2011

poema no. 153 ou Cest't la vie

paçoca
amendoim
torrado
salgado
quentinho

paçoca
amendoim
torrado
salgado
quentinho

paçoca
amendoim
torrado
salgado
quentinho

paçoca
amendoim
torrado
salgado
quentinho

e suflair

Minc libera R$ 1,3 milhão para patrocínio de blog

Eu também estaria rindo.
   Meus caros, parece brincadeira de mau gosto, mas não é.

   Nossa grande ministra da cultura Ana de Hollanda, que deve gostar muito, mas muito mesmo, de poesia, aprovou - na "pessoa" do Minc -  um projeto que liberou a captação da módica quantia de R$ 1,3 milhão para o blog "O Mundo Precisa de Poesia" de ninguém menos que Maria Bethânia.
O site terá um vídeo diário, dirigido por Andrucha Waddington, de Maria Bethânia interpretando um poema. Você, caro leitor, conhece algum projeto parecido? (Veja aqui o projeto "um poema por dia").
   Ora, diabos, precisam Maria Bethânia e Andrucha Waddington de dinheiro público para montar um blog? Por que este esboçador tem de pagar cerca de R$ 6 mil (aliás não pagar, pois está inadimplente) para modernizar o esboço de blog, penar para amenizar estes custos minimamente através do famigerado Google AdSense, enquanto alguém que tem o nome "Maria Bethânia", que por si só garante algumas dezenas de vezes o orçamento deste blog, ganha 1,3 milhão de reais num estalar de dedos. 
   Quantos projetos poderiam ser executados com este valor?

   O grande Laerte Asnis (veja aqui quem é ele), indicou a matéria acima.

segunda-feira, 14 de março de 2011

poema no. 151

arrisco
correr
riscos


riscos
aqui e ali e
aqui e aqui

certo
há mais riscos
num quadro de Kandinsky

mas Kandinsky
era poeta

domingo, 13 de março de 2011

poema no. 150

quase tudo
tem preço

quase tudo
é vendido

quase tudo
é comércio

quase tudo
vale grana

quase tudo

A farsa dos Cursinhos Pré-Vestibulares

Ou não deveria ser.
   Este esboçador nunca estudou no Cursinho Poliedro.

   É importante ressaltar. Este esboçador nunca estudou no Cursinho Poliedro.
   A importância desta informação, e a inclusão de um esboço sobre vestibulares neste blog destinado a arte e cultura, se dá pelo seguinte absurdo: o nome deste esboçador consta na relação de alunos do Sistema Poliedro de Ensino aprovados em vestibulares no ano de 2008. Sim, eu, Mauricio de Oliveira Filho, que somente frequentei cursinho durante um mês em 2001, tenho meu nome numa lista de alunos aprovados em vestibulares (PUC-SP 2008 - Comunicação das Artes do Corpo) deste tal Sistema Poliedro de Ensino. Veja a imagem abaixo.


http://www.sistemapoliedro.com.br/noticias/2008/pdf/aprovacoes_14_02.pdf

   Antes de esboçar o caso aqui, fui investigar se não poderia se tratar de um caso de homonomia. A resposta é: não. Somente um Mauricio de Oliveira Filho (eu) foi aprovado no Vestibular 2008 da PUC-SP. Ainda mais em Artes do Corpo. Convenhamos que meu nome não é tão incomum, mas dois Mauricios de Oliveira Filho aprovados no mesmo curso da mesma universidade no mesmo ano seria muita coincidência. Veja:

   É um caso dos mais asquerosos de que tive conhecimento. Em primeiro lugar, é propaganda enganosa. A escola (?) tenta, e deve ter conseguido, enganar possiveis clientes passando a falsa imagem de que contribuiu com a aprovação de vestibulandos que, na verdade, nunca puseram os pés em suas salas de aula.
   Em segundo lugar, é uso indevido de meu nome. Essa empresa ganhou dinheiro usando meu nome. Ora, isso além de imoral é ilegal.
   Pesquisando o caso, descobri que meu pai, Mauricio de Oliveira, passou pelo mesmo, quando foi aprovado na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, no início dos anos 80. Ele disse que "isso é comum". E parece que é mesmo - em fóruns de discussão sobre direito, na internet, mais pessoas reclamam da mesma situação.
   O caso é grave e mostra como a educação neste país tornou-se tão somente mercadoria. A educação é tratada pelos seus gestores como um par de sapatos.
   Este esboçador ainda pensa em que medida legais tomar. Mas estejam certos de que as tomará.

sábado, 12 de março de 2011

poema no. 149 ou mato sem cachorro

os japoneses sofrem
porque estão no japão

na américa latina
ou na áfrica
viveriam felizes
e em paz

mas eles vivem no
japão
(quase todos)

pobres japoneses

Inezita Barroso - Folclorista

Do lado de cá, Violeta sorri de volta.
Inezita Barroso é uma artista.
   Sua imagem está, de modo justo, ligada à apresentação do programa "Viola, minha Viola", da TV Cultura de São Paulo (e TV Brasil no resto do país). Aos mais antigos, canções como Lampião de Gás, Moda da Pinga e Saudade de Matão são referências de seu trabalho. Contudo, é o seu trabalho como folclorista que perpetuará.
   Inezita faz um trabalho de resgate e registro do folclore brasileiro viajando por grande parte do interior do Brasil. Hoje, é Doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa e leciona a disciplina na Unifai e Unicapital.
   Num país que agarrou com unhas ferozes a o rótulo de sociedade de consumo, em que tudo que tem mais de meia hora é velho, o trabalho de Inezita é uma luta que merece apoio e aplausos.
   Abaixo, Inezita canta "Viola Enluarada", de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.

sexta-feira, 11 de março de 2011

poema no. 148

inezita
é uma bibliotecária

uma vez ela saiu por aí
e leu várias pessoas
e catalogou o que elas tinham a dizer

quase ninguém quis ler

ninguém gosta de ler pessoas
muito menos pessoas pretas e baianas

inezita ficou muito triste
e queimou o seu catálogo

que pena

Música de preto - crime [ATUALIZADO]

MC Leonardo: "A gente parou de ser tocado"
   Não há por estas bandas quem nunca tenha torcido o nariz para aquele carro que passa tocando funk. Contudo, o que vem acontecendo no Rio de Janeiro é algo além disso. E mais grave.

   Em 2008, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei do então deputado Álvaro Lins. O projeto - agora lei -  criminalizava o baile funk. Além disso, determinava regras para a realização de eventos que apenas os espaços mais "sofisticados" podiam atender. Pondo à margem os clubes localizados na periferia.
   A lei foi aprovada pela seguinte contagem:  69 votos a favor e um contra. O único voto contra foi de Marcelo Freixo, deputado pelo PSOL e que fez denúncias contra Álvaro Lins que levaram à sua cassação e prisão por formação de quadrilha, facilitação de contrabando, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. No entanto, a lei segue firme e forte.
   Nas favelas,com isso, o Funk está proibido. Os Bailes Funk só acontecem em horários nos quais a polícia não entra no morro. Levando o Funk definitivamente à marginalização. 
   Nas favelas onde existem UPPs, os bailes foram extintos. As UPPs agem de forma repressora contra qualquer cidadão que esteja ouvindo Funk.

Erotização

   E neste momento, muita gente deve estar pensando: "Ótimo! Tem é que acabar mesmo com essas músicas de putaria, que não têm letra. Aquele batidão!".
   Pois esse foi o argumento usado no início do século passado contra o samba. A música de preto favelado que desceu o morro. Tal como com o Funk, a elite torcia o nariz para o samba por conta de suas letras pouco "sofisticadas" e ritmo sensual - coisa de preto.
   Mas, se o caso for absolutamente a erotização das letras, saiba que isso se dá por um motivo: Indústria Cultural.

Produto caro

   Para além da questão de criminalização do Funk, está a questão da comercialização. Com o tempo, o Funk deixou de ter caráter social para ter caráter sensual. E isso, em si, não chega a ser um grande problema. O problema é o que levou a isso.
   O Funk, nos anos 90, era conhecido por suas letras de cunho social, com denúncias. Com o tempo, estes autores foram desaparecendo das mídias e dando lugar a músicas com letras que rebaixam a mulher à condição de objeto, reproduzem frases homofóbicas etc. E isso por um motivo simples.
   O mercado do Funk é controlado hoje por um cartel, formado por dois empresários: Marlboro e Rômulo. Eles determinam o que toca e o que não toca no mundo do Funk. E foram, justamente eles, que determinaram que o Funk, pra tocar, tem de ser erotizado e machista até onde não der mais.
   Chega a embasbacar os termos do contrato que o cartel impõe: Marlboro cobra 96% do valor, entregando apenas 4% ao artista (ou à dupla), Rômulo cobra 100% dos lucros. Nos shows, ambos ficam com o quase  100% dos lucros. ECADE é fichinha.
   Diante de tudo isso, fica a pergunta: Onde está, neste exato momento, a Ministra Ana de Hollanda, para proteger os autores?

   Abaixo, entrevista com Mc Leonardo, presidente da APAFUNK - Associação dos Profissionais e Amigos do Funk.
  

Leonardo Pereira Mota from FLi Multimídia on Vimeo.

quinta-feira, 10 de março de 2011

quarta-feira, 9 de março de 2011

poema no. 146

e no fim
a companheira estava certa
a base não está conosco

nem com ninguém

a base tem celular
(cinco seis)
e tevê grande e fina
e computador

a base consome
e é consumida
pelo esgoto que corre nas ruas
alagadas
alagadas

mas isso importa?

quem por deus se importa com direitos perdidos
quando o salário sobe ainda que ofegante
quando o banco empresta a inadimplentes
quando nada importa além do consumo
que sobe e sobe

a base teme
o anticristo
e o antiscristo
somos nós

Veja tudo pelos olhos da Veja.

A não ser que...
   Já nem é tão novo, mas eu descobri há poucos dias que todas as edições de Veja estão disponíveis aqui.
   Este esboçador definitivamente não gosta da Veja. Aliás,este esboçador tem profundo desprezo por essa revista. Não há nada na Veja que não seja reacionarismo, conservadorismo e, em alguns casos, fascismo.
   Ter todas as suas edições disponibilizadas possibilita ver como isso faz parte de sua linha editorial desde o início. A Veja surgiu pouco antes da edição do AI-5, mas é claro como sua linha editorial não é pautada pela censura, mas como ela exalta de bom grado o governo fascista da ditadura. Ela vai além da calar-se pela censura e chega ao elogio à ditadura.
   Alguns trechos chegam a ser ridículos, como:
"O PRESIDENTE NÃO ADMITE TORTURAS"
    Essa frase está estampada assim,em letras garrafais, na capa da edição de 3 de dezembro de 1969. O Presidente em questão é Emílio Garrastazu Médici, o maior facínora que comandou este país e o presidente que endureceu o governo.
   Na edição de 16 outubro de 1968 a Veja dá destaque ao Congresso da UNE em Ibiúna, que foi massacrado pela polícia. Para justificar porque a UNE (ou Ex-UNE, como era tratada,então) não merece existir, o trecho a seguir foi redigido:
"Em todas as manifestações governistas, a presença da UNE era obrigatória, seu representante sentava à mesa de honra e discursava apoiando Goulart. José Serra, um estudante paulista, último presidente da UNE legal, esteve no comício do dia 13 de maio de 1964, na Central do Brasil, no Rio, e na assembléia dos sargentos, no dia 30, no Automóvel Clube da Guanabara. Foram essas posições que causaram dois prejuízos fundamentais à UNE: 1 - ao ser encampada pelo Governo Goulart, a UNE perdeu suas bases, os estudantes se afastaram dela, pois assumira a posição de um partido político e não era mais uma entidade de classe estudantil; 2 - a revolução que depôs Goulart não podia perdoar quem se sentava à sua mesa. "
   Por essas e outras,a Veja é deplorável. Contudo é inegável a contribuição que nos traz a publicações online de suas edições,até para que possamos ter dimensão do desserviço prestado (até hoje) por ela à democracia.

terça-feira, 8 de março de 2011

poema no. 145

cuba é uma ilha
(dos cubanos)
à sua volta
há um mar de capitalismo

ultimamente
a maré vem subindo

"viva!" diz a Veja
"logo venderemos assinaturas a eles"

segunda-feira, 7 de março de 2011

poema no. 144

tanto carnaval faz mal
não é a bebida
tampouco a luxúria

bebida e luxúria até são bons

mas o sentimento de tudo vai bem
quando tudo está por acabar

poema no. 143

na rua barão de petrópolis
certa vez
houve um ato revolucionário

começou na rua marques
na verdade

mas na barão de petrópolis
1026
revolucionários de duas organizações distintas
se uniram e viveram a revolução por dias a fio
e venceram

todos souberam
(ficaram horrorizados
mas souberam)

terça-feira, 1 de março de 2011

poema no. 138

a desencarnação
é uma invenção

mas que bela

deixar o mundo
e partir

eu
quando morrer
não irei a lugar algum

apenas findarei

temesse a deus
e um sonho começaria

Funcionários do Minc reagem a Ana de Hollanda

Esse pepino é de sua autoria
   Ana de Hollanda colhe o que plantou. Sua gestão à frente do Ministério da Cultura (Minc) já começou todo estabanado (veja aqui por quê).

   Agora ela deu de limar o Diretor de Direitos Autorais, Marcos Alves de Souza - um dos principais consultores no anteprojeto para a reforma da Lei de Direitos Autorais - o pesadelo de Ana de Hollanda. O Minc tentou dar a Alves outro cargo na diretoria. Ele recusou. Assim, ele foi exonerado do cargo. Em reação a isso, 16 funcionários do Ministério, ligados ao setor, ameaçam pedir demissão.
   Em seu lugar, foi nomeada Marcia Regina Vicente Barbosa, que integrou o Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA). Ela foi integrante da Consultoria Jurídica do Ministério da Cultura, de 2006 a 2010, e integra a Consultoria Geral da União desde maio de 2010. Além disso, Marcia é amiga de Hildebrando Pontes, defensor extremado das teses do Ecad. Ela foi secretária executiva do CNDA quando Hildebrando Pontes foi presidente.
   Marcos Alves de Souza, disse que acha legítimo que a nova direção do Minc escolha pessoas de sua confiança para ocupar os cargos: "É legítimo, da mesma forma que é legítimo que eu não tenha interesse em continuar na equipe da Marcia."
   Ana de Hollanda tem atuado como defensora dos fracos e oprimidos. Defende os autores dos safados que compartilham obras pela internet e coisas assim. Contudo ela o faz sem dizer que os autores que se beneficiam do Ecad são, na verdade, os grandes autores, aqueles que mais recebem. Autores como este esboçador ou qualquer outro pequeno autor, nunca se beneficiou, ou se beneficiará, de Direitos Autorais pelo Ecad ou qualquer coisa que o valha.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mostra exibe cinema radicalizado dos anos 80

Nausicaä do Vale dos Ventos
   O Centro Cultural São Paulo (CCSP) promove a partir de amanhã até o dia 16/03 a mostra "Radical 80".

   A mostra trará filmes que fugiram da fórmula do cinema clássico, que na década de 80 se firmava com George Lucas, Steven Spielberg e Martin Scorsese, seja na estética, seja nos argumentos, seja nos temas.
   E o mais bacana, com o preço do ingresso que você economizará não indo ver "Bruna Surfistinha (veja aqui o porquê), você verá toda a mostra, pois cada ingresso custa apenas R$ 1,00.
    Pequena seleção deste esboçador:  
  • Sexo, mentiras e videotape, de Steven Soderbergh
  • O homem que virou suco, de João Batista de Andrade
  • Cão Branco, de Samuel Fuller
  • Nausicaä do Vale dos Ventos, de Hayao Miyazaki (veja mais sobre Hayao aqui)
  • Mala noche, de Gus van Sant
   Para saber mais, clique aqui e consulte o site do CCSP

500 mil pessoas assistem a "Bruna Surfistinha"

Eu não fui.
   Em seu fim de semana de estreia, o filme "Bruna Surfistinha" (veja aqui porque este esboçador não foi assistir) atingiu meio milhão de espectadores. Provavelmente fará uma bilheteria de cerca de R$ 4 milhões, mesmo valor do orçamento do filme (todo feito a partir de incentivos fiscais - dinheiro público).
   Assim, em breve o filme será pago (pois deste valor, parte fica para o exibidor) e dará um bom lucro.
   Das duas, uma: ou este blog tem uma audiência ínfima, ou este esboçador não é nem um pouco persuasivo.

Dilma Rousseff prepara omelete de queijo (!)

É mole (o fato, não a gema)?
   Sim. Você leu corretamente.

   A manchete acima, além de nos informar que nossa presidente (ou presidenta, para agrada-la com seu factoide de meia pataca) não morrerá de fome se ficar perdida na mata com dois ovos e um pedaço de queijo minas, mostra a que absurdo chegou este país.
   Em meio a um corte enorme no orçamento em que o Ministério da Cultura, que não não começou o ano bem (veja aqui), será um dos mais afetados, proporcionalmente, que diabos a chefe do Poder Executivo faz no programa de pessoas que até outro dia queriam a cabeça do chefe dela (lembram do Movimento Cansei?)?
   Ora, lambendo as nádegas da mídia conservadora. Afinal, quem vive sem ela (a mídia, não a Dilma)?
   Se você quiser ver as matérias sobre Dilma na Ana Maria e na Hebe, clique respectivamente aqui e aqui.

poema no. 137 ou putaria

este poema não contém putaria
(sinto muito)

por vezes
eu mesmo
apenas quero pênis e vaginas enfurecidos

bocas e ânus também

mas agora
estou tão triste
que qualquer vestígio de esmegma faria-me chorar

domingo, 27 de fevereiro de 2011

poema no. 136

a arte
é tão pequena
pode tão pouco
(dizem até que ela não existe
ou deixará de existir em breve)

mas faz tanta falta
ser tão pouco
e ver olhos
poucos e
úmidos

poema no. 135

a revolução não acontecerá
por mãos revolucionárias

(nós queremos a revolução)

fará a revolução
quem quiser pão

Hermeto Pascoal

   Hermeto Pascoal é um gênio.

   Não há o que falar sobre Hermeto que alguém já não tenha dito. Por isso, reitero, Hermeto é um gênio.
   Sua música é um convite ao raciocínio físico. Come ela você dança e pensa. A próxima nota sempre é uma supresa, e isso faz da dança (que acontecerá em sua presença) igualmente surpreendente.
   Em 1999 lançou O Calendário do Som. Nele se encontram partituras escritas diariamente entre 23 de junho de 1996 e 22 de junho de 1997. Este trabalho inspirou o projeto "Um poema por dia" deste blog (veja aqui).
   Não há dois pra lá dois pra cá com a música de Hermeto. Tudo é novo, tudo é lindo. A despretensão nele o faz tão grande.
   Hermeto é lindo.

   Abaixo, improvisação no Festival de Montreux em 1979.

   Veja mais em http://www.hermetopascoal.com.br/.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

poema no. 134

o nu descendo uma escada
não é senão um quadro
(cubista
talvez futurista)

há quem procure no nu
pornografia

há quem procure o nu
e não o encontre

há quem procure pornografia
e encontre o nu descendo uma escada

(um quadro cubista
há quem diga
futurista)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

poema no. 132 ou poema de amizade

De repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
(Vinícius de Moraes)

eis que você está longe

não como quem esteja obrigado
longe como quem não queira estar perto
longe como queira-se distante
longe como quem não volte

longe só

Anna Tréa - Cantante

   Anna Tréa (veja aqui), é uma pessoa doce e uma cantora ácida.

   Compositora, multiinstrumentista, cantora, arranjadora, atriz e produtora, Anna é uma contralto agradabilíssima,mas que não se rende à facilidade aveludada.
   Inicou sua vida musical aos nove anos de idade. Passou (e foi ficando) pelo violão, percussão e no decorrer dos anos, quase que por conta própria, foi aprendendo a tocar todos os intrumentos a que tinha acesso e aos quinze anos começou a gravar canções com todos os intrumentos que tinha. O equipamento de gravação - um rádio com dois cabeçotes de fita K7. Deste artifício surgiram suas primeiros produções cheias de detalhes, abertura de vozes, frases de guitarra e até beat box.
   Com dezesseis anos ingressou na Fundação das Artes de São Caetano do Sul para cursar teatro. Ao ver os alunos do curso de música transitando pela escola e fazendo música nos corredores, percebeu que era isso o que mais queria. Integrou o Grupo Cênico Vocal Gargarejo e continuou na Fundação das Artes, mas agora na área de música.
   Em 2007, lançou o EP (uma espécie de mini álbum) “Carnaval Particular” e se apresentou em diversas casas de São Paulo.
   A partir deste trabalho foi convidada a participar como side man (musicista contratada) de outros compositores, fez trilhas para filmes e peças teatrais e arranjos para outros artistas.  Em 2010 foi a melhor intérprete do Festival de Sorocaba.
   Hoje, Anna Tréa se dedica às aulas no Clam (escola de música do Zimbo Trio), oferece aulas particulares e se prepara para lançar seu segundo EP tendo como parceiros David Esteves (baixo) e Kabé Pinheiro (percussão e bateria).
   Abaixo, a agenda e um pouco da voz muita de Anna Tréa no Festival de Sorocaba.

Agenda de março
5 e 6 – Carnaval de Ilha Bela – Bar Ventania
12 e 13 – Evento Fechado – São José dos Campos
20 – Evento Beneficiente – Saúde
26 – Bar O FIM DO MUNDO – Santana

Bruna Surfistinha [Atualizado]

Não é um filme comercialesco. 
   Estreia essa semana o filme baseado no livro O Doce Veneno do Escorpião, de Raquel Pacheco, ou Bruna Surfistinha. Seguramente este esboçador não o irá assistir.

   Por muito motivos. 
   "O Doce Veneno do Escorpião" não é digno de nota (a não ser por seu marketing), porque "Bruna Surfistinha" seria? Além disso, a atriz principal é Débora Secco. Isso não deveria me influenciar, mas convenhamos que uma pessoa que entra na casa do Big Brother com brilho nos olhos, feito criança em loja de brinquedos, perde a credibilidade.
   Raquel não fez nada, nos últimos tempos, além de suprir as curiosidades dos mais pudicos. As orações dos moralista foram atendidas: uma EX-prostituta, com o mínimo de desenvoltura verbal, que escreve um livro em edição charmosa. Pronto, agora todas as dúvidas sobre o mundo da prostituição podem ser sanadas sem constrangimento. Entrevistas mil, todas elas falando sobre tamanhos de pênis, camisinhas, sobre a beleza dos clientes e todas em tom jocoso. Em nenhuma a literatura foi questionada. Nunca a escritora Raquel esteve presente, apenas Bruna Surfistinha.
   E embora o diretor do filme, o estreante em longas Marcus Baldini, diga que "não é um filme de sacanagem, pornográfico, erótico. Tem uma história", o público não esperará nada de diferente do que viu até hoje, em se tratando de Bruna Surfistinha: uma garota instruída falando de sacanagem.


   [ATUALIZAÇÃO]


   Laerte Asnis, que não joga futebol, lembrou bem, e contribui (abaixo) com a informação de que Dentinho, o atacante do Corinthians, faz uma participação no filme. E me vêm com estória de que o importante é o drama?
   Marcus Baldini, que é diretor de filmes publicitários, deve se honesto e dizer que seu filme, assim como o livro em que se baseia, é uma peça publicitária em si, e nada mais.

Tom Zé na Caros Amigos

   Tom Zé, o ser de outros tempos, do passado (da idade média) e do futuro (da música que virá a ser), de quem este blog bebeu aqui e ali (veja aqui, aqui e aqui) foi entrevistado pela Caros Amigos.

   Este esboçador não se sente competente para resumi-la ou mesmo apresenta-la em tópicos. Portanto, aqui segue o link que não se deve deixar de clicar:

   Entrevista de Tom Zé na Caros Amigos. 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

poema no. 131

ser um ser
qualquer

apenas existir
não basta
é preciso que se seja
o maior
quando não mais

(e como sê-lo
sem o selo
do Pão de Acúcar)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

poema no. 131

se tudo der certo
acho que vou pra
casa

descansar

mas se tudo ficar
assim

fico e sigo destruindo
isso que um ou outro
chama de lar

Globo Filmes ou A Indústria Cultural não é Arte

Esse Adorno, hein? Quero ver a Globo boicotar ele!
   A frase acima não é deste esboçador (ou é? Veja aqui.). Em muitos esboços deste blog, a cultura de massa, a indústria cultural e seus desdobramentos foram citados e/ou dissecados.
   Pois, eis que me deparo com o artigo do Prof. Dr. Rafael Cordeiro Silva, da Universidade Federal de Uberlândia, na Revista Cult (veja aqui). Isso me leva a mais um esboço sobre o tema. O artigo citado trata do livro dos filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer - A Dialética do Esclarecimento -, e Cordeiro Silva se atém às questões da indústria cultural. Quais sejam (transcritas literalmente):
  • Indústria cultural não é arte;
  • A indústria cultural é mais afeita ao gosto mediano das massas, que constituem o tipo social predominante no capitalismo avançado;
  • Ela está referida principalmente aos meios técnicos de produção e difusão de cultura padronizada;
  • Seu poder reside em reforçar as relações de poder estabelecidas;
  • Nenhum esforço intelectual é exigido do ouvinte ou telespectador;
  • A indústria cultural é o engodo das massas.
    Partindo daí, e de outros esboços já publicados neste blog, finalmente chegamos na Globo Filmes.
    A retomada (período em que o cinema nacional volta a produzir, após o fim da Embrafilmes e do advento das leis de incentivo fiscal) é responsável por alguns bons momentos do cinema. Central do Brasil e seus dois prêmios em Berlim é um deles. Nina, Madame Satã, O Invasor, Bicho de Sete Cabeças são tantos outros. Mas, de modo geral, o senso comum só consegue se lembrar do cinema após a Globo Filmes. Assim, a retomada para o grande público ressurge em 1998.
    Nos cinco primeiros anos de sua existência, a Globo Filmes produziu 11 filmes. Apenas dois dignos de nota: Cidade de Deus e O Auto da Compadecida. Os demais são:
  • Simão, o fantasma trapalhão
  • Zoando na TV
  • Orfeu
  • O Trapalhão e a Luz Azul
  • Bossa Nova
  • A Partilha
  • Caramuru, a Invenção do Brasil
  • Xuxa e os Duendes
  • Xuxa e os Duende 2 - No caminho das fadas
    Todos estes filmes receberam incentivo fiscal. Todos estes filmes (alguns deles, claramente desserviços à cultura nacional) foram pagos com dinheiro público (dinheiro que seria arrecadado em impostos e deixou de ser). Todos eles deram lucro à Globo Filmes.
    Claro que há muitos bons filmes no catálogo da produtora. O Homem que Copiava, Casa de Areia, Vinícius, O ano em que meus pais sairam de férias, entre outros.
    Mas o fato é que, de modo geral, a produção da Globo Filmes, única que realmente vende ingresso neste país, segue à risca a descrição feita por Adorno e Horkheimer da Indústria Cultural. Vejamos.

        A indústria cultural é mais afeita ao gosto mediano das massas

    Xuxa e os Duendes, Xuxa e os Duendes 2, Zoando na TV, O Trapalhão e a Luz Azul. Próxima.

        Ela está referida principalmente aos meios técnicos de produção

    Esta questão, dos meios técnicos de produção, foi levanta neste blog há pouco tempo (veja aqui). A questão da técnica não é sua utilização ou não. Mas apoiar-se unicamente nela, como meio de impressionar o espectador. Como em Nosso Lar e Olga.

         Reforçar as relações de poder estabelecidas

    Usarei aqui dois exemplos. Dois filmes. Tempos de Paz e O Bem Amado. Num, um inquisidor disposto a deportar um judeu em plena segunda guerra é sensibilizado e o filme termina com um monólogo do interrogado sob as lágrimas do torturador.

    Noutro, o líder da oposição de Sucupira, dono de um jornal de esquerda, acaba se tornando o mesmo que seu adversário da situação - um demagogo.
   Em ambos, o que se procura, é o assentamento das massas. Deixa-las resignadas, esperando as lágrimas dos torturadores e sem contar com ninguém, pois todos são corruptíveis.

       Nenhum esforço intelectual é exigido do ouvinte ou telespectador;

   Xuxa e os Duendes, Xuxa e os Duendes 2, Zoando na TV, O Trapalhão e a Luz Azul. Próxima.

       A indústria cultural é o engodo das massas

    Neste caso, a coisa vai um pouco mais além. Citarei um filme: Olga. Rebuscamento técnico, interpretações competentes e um tema político (um tema importante). Você assiste e se sente parte de algo grande. E melhor! Nada daquelas chatices que passam na TV Cultura (filme iraniano o cacete!). Então surgem as matérias no Jornal Nacional: x toneladas de polipropilenos para fazer neve, não sei quantos metro de arame para fazer as cercas dos Campos de Concentração. (E tudo parecendo muito importante). E no Fantástico, uma matéria sobre os verdadeiros Olga e Prestes, e sua linda estória de amor.
   Então você realmente está convencido que aquilo tudo te faz ser alguém maior. Você, agora, entende melhor toda aquela coisa complicada que não entendia lendo os livros. Pois então encontramos o engodo.
   Tudo isso é perfumaria. Tudo isso é rebaixamento intelectual. Pano de fundo para uma estória melosa de novela. Nada que Manoel Carlos não faria. E você, que viu a revolucionária Olga se estrepando, sente-se reconfortado por viver num país livre onde tudo isso possa ser contado abertamente.

      A Indústria cultural não é arte

   Xuxa e os Duendes, Xuxa e os Duendes 2, Zoando na TV, O Trapalhão e a Luz Azul.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

poema no. 130 ou poema cubano

o brasil não é um país
livre

a despeito de todo o sentimento global

o brasil não é
um país livre

não é dado aos brasileiros o direito
de não terem
tudo

não ter tudo
não é um direito
do cidadão brasileiro

é preciso que se tenha tudo
ou pelo menos mais
que outro cidadão brasileiro

e temos de gostar de futebol e de cerveja e de mulher e de iPhones e de videogames e de dinheiro e de carros e de tevê via satélite e de andar nus
(às mulheres também e vedado o direito de não serem senão orifício)

e precisamos avisar ao governo que não queremos votar porque preferimos ir à praia
e precisamos avisar ao governo que não queremos servir ao exército
e precisamos avisar ao governo que vendemos o carro e a casa

para se ter o direito de integrar a sociedade
também é prudente que se pague por escola medicina segurança transporte individual e comida de marca
(embora comida sem marca seja mais saudável)

livre
um país não
é o brasil

Filme de Asghar Farhadi vence Berlinale

Nem só de Tropa de Elite vive o Festival de Berlim.
   O filme "Nader e Simin: Uma Separação" levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano, além de ganhar os Ursos de Prata de melhor ator e atriz.

   A fita conta a estória de um casal que se separa,servindo de pano de fundo para tratar de questões sociais do Irã, como  a divisão de classes e o conservadorismo religioso.
   O Urso de Prata de segundo melhor filme foi "O Cavalo de Turin", do diretor húngaro Bela Tarr e o troféu de melhor diretor, por "Sleeping Sickness", ficou com Ulrich Koehler. 

Infelizmente este esboçador não encontrou o trailer do filme. Caso alguém o encontre, sua contribuição será bem-vinda.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

poema no. 129

jards
macalé
não é

cantor
poeta
ou com
           positor é

     com
           posição

Roberto Carlos custa R$ 6,4 milhões aos cofres públicos

Roberto Carlos, mostrando que o cachê está lá em cima, ó!
   Mas veja que beleza! A prefeitura do Rio de Janeiro pagou essa exorbitância pelo show de Roberto Carlos no fim de ano. Algumas questões tem de ser levantadas. 

   Em primeiro lugar, por deus!, Roberto Carlos não valeu tudo isso! Pra se ter uma ideia, Paul McCartney cobrou R$ 30 milhões por 3 shows no Brasil - o que também é demais. Agora, o cachê de Roberto Carlos, que está sempre fazendo shows aqui e ali custa somente um pouco menos que o de Paul McCartney? Um ex-Beatle que faz shows no Brasil de vez em nunca?
   Em segundo lugar, veja que ironia, a Rede Globo transmitiu o show como sendo o especial de fim de ano do artista. Acontece que Roberto Carlos tem contrato com a Globo que prevê a exibição de um show por ano. Ora, porque diabos a Prefeitura do Rio de Janeiro teve de pagar o cachê por um show que estava previsto em contrato com a emissora? Detalhe: a emissora não desembolsou nenhum centavo. Mas faturou R$ 4,8 milhões com a venda de 4 cotas de patrocínio. A prefeitura não conseguiu patrocinadores para o evento.
   Além do mais, se a prefeitura pagou o cachê, ainda que o cantor tenha contrato com a Globo, o correto seria que houvesse uma concorrência para a exibição do evento. Contudo, a Rede Globo exibiu e faturou uma bela quantia às custas de um evento pago com dinheiro público.
   Mas que beleza, hein?

   Agradecimentos a Laerte Asnis (veja aqui), que sugeriu a matéria. 

É este o Ministério da Cultura que queremos?

O que mais é amarelo, além das flores, nessa imagem?
   Há muito tempo atrás, este esboçador prometeu não mais falar de política neste espaço. Contudo, há momentos em que política e cultura se misturam (da pior maneira possível).

   E não estou falando de poema com cunho político. Estou falando de política de bastidores, de interesses, de cargos.
   Ana de Hollanda, cantora, irmã de Chico Buarque (que esteve em ato Pró Dilma pouco antes do segundo turno das eleições presidenciais do ano passado), foi empossada ministra da cultura desbancando cerca de 20 outros nomes cotados para a pasta.
   Os seus antecessores, Gilberto Gil e Juca Ferreira, eram considerados a "ala progessista" do governo Lula (um governo que de progressista teve muito, mas muito, pouco). Ana, ao contrário, começa seu trabalho dando claros sinais de conservadorismo e de retrocesso em pontos importantes.
    Logo de cara, a ministra deu a declaração de que a Reforma da Lei de direitos Autorais “foi discutida com a sociedade, mas não se chegou a consensos. Precisa ser novamente colocada em discussão”. Ora, entre seminários e congressos realizados ampla participação de representantes de setores da sociedade, foram seis anos de discussão.
    Logo após, Ana de Hollanda solta a maior de todas, dizendo que o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) não precisa de supervisão estatal. O Ecad é o (único) responsável pela arrecadação e da distribuição dos direitos autorais no Brasil. Embora seja uma instituição privada, foi criado por lei federal (é mole?). Para muitos (para este esboçador, inclusive), nada que não seja sua extinção é aceitável. Para outros, mais reformistas, o mínimo que pode acontecer é que o Estado passe a supervisioná-lo. Ana de Hollanda acha que não. Pensa que o mercado é capaz de se virar. E dizem que Dilma é comunista.
   Por fim, do site do MinC foi retidarada a menção ao Creative Commonbs e passou a adotar a frase: “O conteúdo deste site, produzido pelo Ministério da Cultura, pode ser reproduzido, desde que citada a fonte”. Sabe que direito isso dá a você? Nenhum. Na prática, se eu republicar qualquer texto do site do MinC aqui no esboço de blog, estarei sujeito à pena prevista em lei, pois republicação não é o mesmo que reprodução.
   Longe de pensar em defender as políticas adotadas por Lula. A simples ideia de "reforma" já não me agrada. Mas, é de doer pensar que saímos de algo que já não era ideal para um passo atrás. No mínimo, antes tínhamos uma discussão de direitos autorais que era pautada pela questão do acesso, não do autor.
   Vale lembrar que este esboçador é um autor. 

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