segunda-feira, 29 de novembro de 2010

poema no. 47

é preciso que se chore em silêncio
pois as pessoas não gostam de ouvir o pranto alheio

é muito difícil saber o que fazer
quando se escuta o pranto alheio
(é muito difícil disfarçar
e fingir que não se nota)

quando alguém chora de dar soluços
é constrangedor
ser insensível

domingo, 28 de novembro de 2010

poema no. 46

a luz do sol
queima minha pele
a luz do sol
talvez queime a sua pele
mas a luz do sol
não queima a pele de Eike Batista

até o sol é pelego

sábado, 27 de novembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

poema no. 42

molhar os pés
ter o pé molhados
e umedecer o passado

o passado nunca secará

poema no. 41

pessoas, quando morrem,
têm seus corpos velados
depois de sererm preparados para não estragar

após isso, os corpos são colocados em buracos
ou queimados até virarem cinzas

meu rato,
meu melhor amigo,
teve seu corpo jogado no lixo
(minha mãe achava uma heresia velar um rato)

algumas pessoas
também têm seu corpos
jogados no lixo
(há quem ache uma heresia velar um pobre)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

poema no. 40

está ali
tardiamente
o horizonte

o horizonte
é sempre tardio

inexiste se alcançado

-

a vida é toda inalcançável

-

por isso não me acalma
saber do horizonte

acalmaria-me saber da cachaça no lado oposto da mesa

mas entre mim e ela
há o horizonte

Poema no. 39

ya he dejado que se empane
la ilusión de que vivir es indolor 
(Jorge Drexler)

engana-se que pensa
que a vida é indolor

a vida é apenas dor
dor e dor
(uma após a outra)

a vida são dores
em todas as juntas
(as dores todas
juntas
são a vida)

engana-se quem pensa

sábado, 20 de novembro de 2010

poema no. 38

viver a verdade
é viver sem mentiras

não mentiras
como
não sei quem quebrou o copo

mas mentiras acerca
da própria existência
e de reconhecer a si
como humano

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

poema no. 36

há uma canseira qualquer em mim que me impede de querer
ser é o bastante quando se está cansado
mas quando se cansa de ser
ser torna-se demais

poema no. 35

a pobreza é tão
bonita
os pobres não precisam de
caviar
ou de
champanhe
ou de
filé mignon

pobres se divertem com amendoim, cerveja e frango

a pobreza é tão divertida
os ricos morrem de rir dos
pobres

poema no. 34

minha vida
é
minha vida

sua vida
é
sua vida

nossa vida
é
sua vida

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

domingo, 14 de novembro de 2010

poema no. 32 ou Ato

tudo se move
cabelos e ímpetos

palavras invadem o salão
e tudo se move

palavras de ordem
olhares ferozes
corpos ao ar
se movendo

mesmo
o sal de prata se move
de lá
pra cá

a mão apoiada sobre a coronha
parece imóvel
mas
até ela
intimamente
em seu mais retido desejo
se move

sábado, 13 de novembro de 2010

poema no. 31

para o mínimo ser
o mínimo é ser
no mínimo
um ser

Poema no. 30

o poeta Arnaldo Antunes
gosta de brincar
com a imagem das palavras

certa vez
parecia que a palavra shell
era hell

(ele disse que a cia. shell
assemelha-se ao inferno)

o poeta Arnaldo Antunes
é antes um pintor
um artista visual
dado a fazer arte
com o que se vê
rabisco de letra

ele faz poemas na forma de círculos
e o poema não acaba nunca
o poeta Arnaldo Antunes
é capaz de fazer poemas
sem fim

é antes um arquiteto
transvê o significado
é inclinado a significantes -
matéria sonora feita de desenhos

Sobre as dificuldades de se manter o blog

Como todos sabem, fui assaltado dentro de casa no dia 28/10/10.

Meu computador foi levado e desde então atualizar o blog tem sido muito difícil.

Contudo, os poemas tem sido escritos diariamente ainda que não sejam postados diariamente. Tenho ido a Lan Houses, usado os computadores da Unifesp (que fica em Santos, bem longe de casa) e/ou de amigos, como agora (valeu, Thalita!).

Espero que vocês mantenham o interesse pelo blog e sigam visitando-o. Logo mais haverá uma reforma no blog e o conteúdo será mais amplo e diversificado.

Obrigado a todos.

Mauricio.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

poema no. 29 ou Considerações

cabeça vazia
esvazia o papel

poemas precisam de problemas
para ser

(poemas são máquinas de fazer arte
com insanidades)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Poema no. 28

há muitos pobres nas ruas
há muitos pobres em casa
há muitos pobres em todo
                                       lugar

nas cadeias há muitos pobres
mas fora delas, há muito mais
(e sempre há uma rebelião
e muitos pobres voltam pra
casa)

pobre em casa, é sempre um risco
pobre na escola é sempre um risco
pobre no hospital é sempre risco

e o risco cresce quando muitos pobres
              juntos
percebem que são pobres e reclamam
              juntos

ainda bem que a polícia
está do lado do bem

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

Poema no. 25

esconder-se em si
saber de si pelo que se não é
amar-se menos que a outrem

o ser social é um hipócrita
antes de qualquer coisa



a hipocrisia fez de nós
humanos

sábado, 6 de novembro de 2010

Poema no. 24

há uma perna preta estendida na calçada
a perna
em si
não é tão preta

mas está suja
de uma sujeira preta
muito preta
que deixa a perna ainda mais preta

o cheiro de urina e
merda
faz da perna ainda mais preta

o cheiro de urina e merda
faz da perna
ainda mais preta

a perna
que é preta
se escurece mais a cada inspirar do odor

(sabemos que é uma perna preta
que fede e que
seguramente
é de alguém muito muito pobre

e
assim
preto)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Poema no. 23

estar acordado às três da manhã
quando ninguém mais está
é estar dormindo

                         às três da manhã
numa casa onde todos dormem
o silêncio só é violado pelos pensamentos

sonhos são pensamentos que fazem barulho
e parecem verdade

assim como a verdade parece verdade
                         às três da manhã
quando se está acordado enquanto todos
dormem

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poema no. 22

palhaços são muito complexos
eles não sabem das coisas simples

um palhaço não consegue sentar
numa cadeira
com simplicidade

palhaços sempre caem das cadeiras
palhaços sempre caem

palhaços chutam as nádegas de outros palhaços
e têm suas nádegas chutadas enquanto zombam de palhaços
que tiveram suas nádegas chutadas

(eles deveriam saber que seriam alvos, ao se descuidarem)

palhaços não percebem que
numa casa sem paredes
não é necessário que se passe pela porta

palhaços não são plenos de sanidade
nem se dão ao respeito

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Poema no. 21

há corpos seminus
correndo pela areia

felizes
sorridentes
ensolarados

sol e biquínis
atrapalham a visão

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poema no. 20

as pessoas têm medo do socialismo
o socialismo assusta as pessoas
sobretudo os pobres

os pobres querem que tudo permaneça como está

a pobreza pobre
faminta
presa

os ricos querem que tudo permaneça como está

a pobreza esperançosa de um dia não ser
pobre
faminta
presa

(eles acham que se estudarem, ganharão melhores salários)

os ricos têm muito medo do socialismo
os ricos são muito convincentes

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Poema no. 19 ou Poema Infantil

há dor no sexo

a dor do sexo
mata o sexo

quase nunca
se quer dor
no sexo

sexo dá prazer

sexo causa dor

há dores que não passam
mesmo depois do sexo

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